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29 de julho de 2013

E nós a vê-los passar...

Ao ler o JN hoje de manhã, deparei-me com este título nas notícias sobre Matosinhos "Cruzeiros vão dar à região 11 milhões de euros anuais". No corpo da notícia, refere-se que "Em 2010, passaram por Leixões 15 mil passageiros. No ano passado, já foram 75 mil. Em 2018, um estudo da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) estima que se atinjam os 126 mil turistas marítimos.". Certamente que são números reais e que podemos comprovar pelo número de embarcações que vamos vendo chegar.

O que eu gostava de ler na notícia e não li, é quanto desse valor gerado na nossa terra, fica em Matosinhos?

O que eu vejo e certamente os leitores que me dão a honra de dispensar uns minutos do seu tempo para  ler o Matosinhos OnLine vêm, é os turistas chegar e ainda dentro do próprio Porto ou à sua porta (como as fotos documentam), serem levados para outras paragens, onde vão deixar o seu dinheiro.

 Pergunto ainda, o que foi feito em Matosinhos para acolher o enorme aumento do turismo que o Porto de Cruzeiros, a chegada das companhias Low Cost ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro e o crescente interesse dos "nuestros hermanos" galegos por o Porto e pela nossa região?

Será que alguém acreditou que umas barracas mal amanhadas, no meio da rua, a levar com o fumo dos carros em cima e a ocupar os passeios obrigando os transeuntes a andar pelo meio da rua com os carros a passar, seria suficiente para atrair turistas exigentes e que se fartam de viajar por essa Europa fora? No que conheço, de cidades costeiras, como Matosinhos e que fazem da actividade hoteleira e diversão (duas actividades que são inseparáveis), vejo as ruas serem cortadas ao trânsito a partir de uma determinada hora e ao Domingo, sendo a partir daí montadas as esplanadas e toda a zona fica limitada ao trânsito pedonal com segurança.

Mas os turistas querem história, cultura e diversão, algo que Matosinhos não disponibiliza. Começa ali à porta do Terminal de Cruzeiros, no monumento mais importante do concelho (Senhor do Padrão) que se encontra em completo estado de degradação, sem qualquer iluminação, portas arrancadas e o jardim circundante seco e cheio de lixo.

 As primeiras casas que Álvaro Siza Vieira fez, na Rua Doutor Filipe Coelho com a Avª Dom Afonso Henriques e a Rua Dr. Forbes Bessa, não têm qualquer referência ao facto.

 A casa onde viveu e morreu a escritora Florbela Espanca que poderia ser aproveitada como Museu, está ao abandono e à venda.

 A Casa do Leão em Manhufe, onde viveu Guilhermina Suggia, foi vendida há pouco tempo e não acredito que tenha sido adquirida pela Câmara Municipal de Matosinhos.

 Não conheço uma loja de recordações com artesanato e produtos típicos, como por exemplo as nossas conservas.

 Não vejo os ranchos folclóricos de Matosinhos com a sua riqueza etnográfica e musical actuarem nas ruas quando há barcos no Porto.

 Não tenho conhecimento de aproveitamento dos desempregados do concelho que dominam línguas estrangeiras para funcionarem como agentes de informação aos turistas.

 Vejo uns quadrados de papelão, horrorosos e desactualizados, a mandarem os turistas para o Monumento do Sr. do Padrão e a Casa de Chá da Boa Nova que todos sabemos, serem neste momento duas das maiores vergonhas de Matosinhos, devido ao completo abandono e estado de degradação.

 Por fim, a diversão que nos tempos de Narciso Miranda, chegou a ser uma referência, está confinada aos bares "alternativos" da Roberto Ivens e de S. Roque e meia dúzia de resistentes que, mesmo assim, ainda têm que viver com ameaças por questões políticas, como me contou um amigo empresário, a quem disseram que "o seu bar toca música demasiado PARADA", isto por o dito empresário ser apoiante de um dos candidatos às eleições autárquicas.

 Conseguiram, por capricho de uma pessoa da vereação, fechar o mais emblemático bar de Matosinhos/Leça e transformá-lo em mais uma bandeira para o Porto, o "Costa do Castelo" que chamava gente de toda a região e até de mais longe, como os galegos que vinham propositadamente em busca da boa disposição reinante naquele espaço.

 Pois é, como o post vai longo, fico por aqui. Só me custa que nós, os matosinhenses, continuemos a ouvir falar nestes milhões todos e neste incremento económico por via do turismo, mas... continuemos a vê-los passar, bem na frente do nariz.

 É como a história do burro e da cenoura, o pior, é que o burro, ou neste caso os burros, somos nós!

Link da notícia no JN clique AQUI





3 comentários:

  1. acho que vozeses perdem o vosso tempo com coisas que nao interessam a ninguem. vao ao jornal de pedra e cal de matosinhos. como se chama jm. roubado pela politica do ps. para o silenciar. isto e noticia

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  2. Acho que as pessoas estão a perder o tino. Ou é da crise, ou da globalização, ou da angústia do desemprego, sei lá, acho que está tudo meio tolo. Então o que é que o senhor acha que Matosinhos pode dar mais que o Porto ou as Caves de Gaia? Nada, meu caro. Nada. Zero. O Porto tem quase tudo para dar a quem vem do norte da Europa. As caves de Gaia têm o resto. Matosinhos não tem nada, nem nunca teve, e nunca terá porque simplesmente não pode competir com quem é muito melhor. E acho que isto não é nenhuma desonra. Desonra seria poder e não fazer. Alguém no seu perfeito juízo já olhou para os mapas do Porto e de Matosinhos e comparou as diferenças? Sejam realistas. Assim como eu não posso meter Lisboa e Paris no mesmo saco, também não o posso fazer com o Porto e com Matosinhos

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  3. Buarcos aos pés da Serra da Boa Viagem, é a parte mais bonita da zona da Figueira da Foz. Que se saiba, até ao momento, nunca ninguém falou ou escreveu, que a Figueira erro filho barão e Buarcos, era o parente pobre de toda aquela zona.
    Cada uma com as suas características, não deixam de ser cidades portuguesas, e por isso, cheias de encantos...

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